II Jornada de Extens√£o do Mercosul

Tem√°tica

‚ÄúSe o universo √© definido como um conjunto de possibilidades, estas pertencem ao mundo todo e s√£o teoricamente alcan√ß√°veis em qualquer lugar, desde que as condi√ß√Ķes estejam presentes. O lugar √© o encontro entre possibilidades latentes e oportunidades preexistentes ou criadas‚ÄĚ.

Milton Santos

Partindo do deslocamento paradigm√°tico do mundo do trabalho e suas implica√ß√Ķes tecnol√≥gicas, produtivas, sociais e educacionais atuais, a extens√£o universit√°ria atravessa alguns apontamentos/desafios a partir da d√©marche das mudan√ßas estruturais que a envolvem, a um s√≥ tempo, as bases materiais da produ√ß√£o e as din√Ęmicas pol√≠tico-culturais da reprodu√ß√£o social.

As delinea√ß√Ķes que os novos tempos e espa√ßos v√™m produzindo no seio de nossa contemporaneidade, nos obrigam a dar respostas contextualizadas sobre o destino do fazer universidade e extens√£o universit√°ria em nossas respectivas realidades. Vivemos em um mundo cada vez mais globalizado, sobrando raz√Ķes e fatos para entendermos nosso cotidiano situado em um mar de rela√ß√Ķes de ordem global incidindo em acontecimentos locais. Se por um lado, vivemos na era da globaliza√ß√£o, de um tempo e espa√ßo mundo hegem√īnicos, tamb√©m √© verdade que esse processo de globaliza√ß√£o s√≥ se materializa no local.

E, diante deste local, permeado de rela√ß√Ķes globais e locais, que a extens√£o universit√°ria se conecta a um conjunto de possibilidades, produzindo e reconhecendo saberes, participando dos processos societais, criando e difundindo tecnologias, co-produzindo o desenvolvimento local. Os desafios s√£o muitos, por√©m, dois parecem sobressair-se: Pensar a extens√£o universit√°ria conectada com o seu territ√≥rio e pensar esta conex√£o territorial com base na rede de rela√ß√Ķes globais.

Rede e territ√≥rio s√£o conceitos que funcionam como senhas coet√Ęneas para interpretarmos o campo de atua√ß√£o da extens√£o universit√°ria. Fortalecer a concep√ß√£o de trabalho em rede, desta vez tornando-a o foco de nossas preocupa√ß√Ķes e criatividade, nos remete aos desafios de pensarmos o lugar. Nesta perspectiva, o territ√≥rio como um teatro obrigat√≥rio das a√ß√Ķes extensionistas, ratifica a necessidade de ultrapassarmos concep√ß√Ķes fragmentadas da realidade buscando formas mais efetivas e integrais de incid√™ncia e entendimento das ecologias locais.

Sem perder a dimens√£o dos processos culturais singulares nos quais nos inserimos, qual o sentido de pensarmos em extens√£o universit√°ria diante das novas configura√ß√Ķes produtivas dos tempos atuais? Como potencializar uma log√≠stica extensionista mediante uma mobiliza√ß√£o das compet√™ncias objetivas (as redes t√©cnicas) e subjetivas (as redes sociais)? √Č poss√≠vel pensarmos essa transi√ß√£o desde o horizonte espacial e temporal do Mercosul, contribuindo para mobiliza√ß√£o democr√°tica e produtiva dos nossos territ√≥rios?

Mais do que uma raps√≥dia de perguntas, as indaga√ß√Ķes supracitadas acumulam raz√Ķes para prosseguirmos fomentando e fortalecendo redes intra-institucionais e inter-institucionais. A Jornada de Extens√£o do Mercosul justifica-se como uma estrat√©gia de intensifica√ß√£o destas redes como forma de amplia√ß√£o do di√°logo, valorizando a diversidade de nossas unidades acad√™micas permitindo sustentar a extens√£o na perspectiva da integralidade.