Carta Fórum de Extensão do Mercosul

CARTA do Fórum de Extensão do Mercosul

 

O F√≥rum de Extens√£o do Mercosul, promovido pela Universidade de Passo Fundo-UPF e Universidad Nacional del Centro de la Prov√≠ncia de Buenos Aires - UNICEN, sediado pela UPF, Passo Fundo, Rio Grande do Sul, Brasil, nos dias 11, 12 e 13 de agosto de 2015 sob a tem√°tica: Tecendo processos de curriculariza√ß√£o da Extens√£o teve sua programa√ß√£o marcada por pain√©is e grupos de trabalho que promoveram ampla discuss√£o conceitual, compartilhamento de experi√™ncias, problematiza√ß√Ķes e delineamento de desafios.

Como primeira atividade, o Encontro da Coordena√ß√£o Nacional e C√Ęmara Sul do F√≥rum Nacional de Extens√£o e A√ß√£o Comunit√°ria das Institui√ß√Ķes Comunit√°rias de Ensino Superior, ap√≥s abertura pelo Magn√≠fico Reitor da UPF, Professor Jos√© Carlos Carles de Souza, teve pauta espec√≠fica: a) relato, pela Coordena√ß√£o Nacional, das a√ß√Ķes em curso: di√°logo com demais f√≥runs de ensino superior, entidades representativas; b) pr√≥ximo encontro nacional em Florian√≥polis, dias 16 e 17 de novembro de 2015; c) breve avalia√ß√£o do PROEXT; d) Livro C√Ęmara Sul: prorroga√ß√£o de prazo (15/09) para submiss√£o de artigos; e) Grupos de Trabalho: foi postergada para a pr√≥xima reuni√£o da C√Ęmara Sul o alinhamento dos GTs.

A abertura do F√≥rum foi abrilhantada com a apresenta√ß√£o do Coro UPF com a reg√™ncia do Maestro Fernando Montini e contou com a manifesta√ß√£o do Magn√≠fico Reitor da UPF, Professor Jos√© Carlos Carles de Souza, da Vice-Reitora de Extens√£o e Assuntos Comunit√°rios da UPF, Professora Bernadete Maria Dalmolin, do Coordenador Nacional do ForExt, Professor Josu√© Adam Laizer, e do Secret√°rio de Extens√£o da UNICEN, Professor Daniel Herrero. Na sequ√™ncia, o painel de abertura, intitulado Integralidade na forma√ß√£o acad√™mica: experi√™ncias das Jornadas de Extens√£o do Mercosul, com a participa√ß√£o dos professores Bernadete Maria Dalmolin (UPF), Daniel Herrero (UNICEN) e Adriano Viera (UPF), refletiu acerca da tecitura do conhecimento, dos m√ļltiplos significados de Extens√£o, das possibilidades de constru√ß√£o da equa√ß√£o ensino-pesquisa-extens√£o, destacando que a curriculariza√ß√£o n√£o se resume a um requisito legal, mas a um processo orientado pela supera√ß√£o da fragmenta√ß√£o curricular e compromisso com o entorno, a transversaliza√ß√£o do conhecimento respeitada a singularidade de cada curso e contexto social que retoma a discuss√£o identit√°ria da universidade. A met√°fora do ‚Äúponche andido‚ÄĚ apresentada pelo Professor Adriano, ilustrou o desafio acad√™mico de ‚Äútecer conhecimentos‚ÄĚ.

No segundo dia, o painel, intitulado Extens√£o Universit√°ria e Curr√≠culo: tens√Ķes, desafios e possibilidades, contou com a participa√ß√£o dos professores Facundo Harguinteguy, Rodrigo √Āvila Huidobro, ambos da Universidad Nacional de Avellaneda - Argentina e Jorge Hamilton Sampaio, da Universidade Cat√≥lica de Bras√≠lia, Brasil. No referido painel foi apresentada a cronologia da universidade argentina, ag√™ncia do resgate do seu prest√≠gio como lugar de edifica√ß√£o do saber a partir da deposi√ß√£o da sala de aula como √ļnico espa√ßo de ‚Äúconhecer‚ÄĚ, tendo por trajeto um curr√≠culo integrador, marcado pela interdisciplinaridade, pela interpela√ß√£o ao academicismo, pela deposi√ß√£o da compartimentaliza√ß√£o disciplinar. A desconstru√ß√£o do foco percentual de curriculariza√ß√£o (10%) e a defesa de 100% das atividades curriculares, efetivamente indissoci√°veis (n√£o integradas), ensino-pesquisa-extens√£o constituiu o ponto alto do debate. Tamb√©m a compreens√£o da aprendizagem como um processo de mover desejos, de ir al√©m da raz√£o instrumental, do racionalismo cartesiano. Mobilizar para a busca do conhecimento √© apaixonar-se pelo conhecimento e nosso essencial desafio.

Grupos de Trabalho discutiram concep√ß√Ķes e pr√°ticas sob as tem√°ticas: a) Forma√ß√£o Acad√™mica e Projeto Pedag√≥gico; b) Universidade e Comunidade; c) Protagonismo dos Sujeitos; d) Experi√™ncias Metodol√≥gicas de Curriculariza√ß√£o, programa√ß√£o que constituiu a culmin√Ęncia do evento. As discuss√Ķes foram enriquecidas com a confec√ß√£o de um ponche, s√≠mbolo do evento, a partir de retalhos, linhas e adere√ßos, em que cada um dos participantes contribuiu com seu patch, os quais foram ‚Äúalinhavados‚ÄĚ por professores e alunos do curso de Design de Moda da UPF.

A programa√ß√£o deste segundo dia tamb√©m contou com a divulga√ß√£o da RED LATINOAMERICANA Y DEL CARIBE DE EXTENSI√ďN UNIVERSIT√ĀRIA (redvinculacion.ning.com) como instrumento virtual de promo√ß√£o da partilha de experi√™ncias e saberes extensionistas e discuss√£o dos desafios atuais da Extens√£o Universit√°ria pela Professora Simone Imperatore, a partir de discuss√Ķes suscitadas no XIII Congresso Latinoamericano de Extensi√≥n Universitaria e Politicas P√ļblicas, realizado em junho de 2015, em Cuba.

Atividades extras como a visita ao Museu de Artes Visuais Ruth Schneider e pelo ‚ÄúEncontros √† Moda Brasileira‚ÄĚ, corroboraram a √™nfase cultural e social do f√≥rum, quando os participantes tiveram oportunidade de compartilhar momentos descontra√≠dos ao som do chorinho brasileiro e da culin√°ria t√≠pica de boteco que faz parte do cen√°rio cultural do Brasil.

No terceiro dia o painel: Curriculariza√ß√£o da Extens√£o: do marco legal √†s cria√ß√Ķes poss√≠veis, teve a participa√ß√£o de Oscar Ojeda e Cla√ļdia Maroa da Universidad Nacional de San Lu√≠s - Argentina; M√°rcio Tascheto e Robert Felipe dos Passos - Universidade de Passo Fundo, Brasil. Foram apresentadas diferentes experi√™ncias de curriculariza√ß√£o verificadas nas universidades argentinas, com √™nfase no Centro de Pr√°ticas Comunit√°rias da Universidad de San Lu√≠s. A participa√ß√£o dos colegas brasileiros adicionou desconstru√ß√Ķes e desnudou ‚Äúpontos cegos‚ÄĚ ao pensar Extens√£o sob a l√≥gica curricular, evidenciando que, para al√©m de um campo de disputa de projetos antag√īnicos, os limites e tensionamentos da curriculariza√ß√£o da Extens√£o n√£o est√£o no marco legal, no mercado, nos √≥rg√£os reguladores, mas dentro das institui√ß√Ķes de ensino e da limita√ß√£o de pensar curr√≠culo ainda de forma industrial. Nesse contexto, mister a reflex√£o de experi√™ncias e li√ß√Ķes aprendidas, de pressupostos e perspectivas, de mundo, de sujeitos e, por conseguinte, de universidade. Ainda foram apresentados os pressupostos ex√≥genos, europeus e norte-americanos, que orientam a pr√°xis extensionista no Brasil, como uma an√°lise necess√°ria para, lucidamente, discernirmos o vis√≠vel e o poss√≠vel no desafio da curriculariza√ß√£o.

Neste √ļltimo dia, as Feiras Ecol√≥gica e de Economia Solid√°ria, evidenciaram uma pr√°xis extensionista da universidade-sede.

A s√≠ntese dos Grupos de Trabalhos, cujas discuss√Ķes tiveram destaque neste √ļltimo dia do evento, constituiu o marco conceitual e orientador das discuss√Ķes em curso, conforme ser√° apresentado a seguir;

  1. GT1- Formação Acadêmica e Projeto Pedagógico, pontos fundantes:
  • Heterogeneidade ao dialogar a curriculariza√ß√£o da extens√£o entre universidades e, mais ainda, entre pa√≠ses ‚Äď ponto de partida? O que evidencia que n√£o h√° receita comum como curriculariza√ß√£o da extens√£o, in√ļmeros aportes te√≥ricos e m√ļltiplas pr√°xis;
  • Limita√ß√Ķes administrativas para promover a transversaliza√ß√£o da extens√£o;
  • Extens√£o como disciplina, indissociada de uma forma√ß√£o espec√≠fica ‚Äď transversal;
  • Extensionaliza√ß√£o do curr√≠culo ‚Äď extens√£o em todas as disciplinas;
  • Desafios: repensar o curr√≠culo como PPC, n√£o meramente um conjunto de disciplinas, mas processo de constru√ß√£o coletiva, vinculado √† realidade social; forma√ß√£o cont√≠nua para extensionistas; efetivar a Red como canal dial√≥gico e reflexivo acerca das pr√°ticas e li√ß√Ķes aprendidas.

 

  1. GT 2 - Universidade e Comunidade:
  • Conceito de Extens√£o como formadora da realidade;
  • Integra√ß√£o ensino-pesquisa-extens√£o;
  • Vincula√ß√£o entre saber acad√™mico e o popular = co-gera√ß√£o de conhecimento e n√£o saberes divergentes;
  • Aprofundar canais de comunica√ß√£o universidade-sociedade, sociedade-universidade;
  • Valorizar a pr√°xis extensionista;
  • Cria√ß√£o de indicadores de impactos;
  • Atuar em ader√™ncia com as pol√≠ticas p√ļblicas;
  • Territorializa√ß√£o da universidade;
  • Extens√£o como processo de longo prazo;
  • Concilia√ß√£o de tempos e objetivos acad√™micos e sociais;
  • Diferentes modelo/naturezas de universidade;
  • Proposta unilateral de extens√£o (universidade);
  • Extens√£o como necessidade formativa e parte do curr√≠culo.

 

  1. GT 3 - Protagonismo dos Sujeitos:

 

  • A riqueza das falas apontou um mapa conceitual e estrutural, desde as quest√Ķes hist√≥ricas do sistema capitalista atual, numa perspectiva s√≥cio-hist√≥rico-dial√©tica e a fun√ß√£o da universidade e, em espec√≠fico da Extens√£o Universit√°ria;
  • Entendimento da hist√≥ria e dos espa√ßos ideol√≥gicos de poder;
  • Desconstruindo a curriculariza√ß√£o da extens√£o e a proposi√ß√£o da extensionaliza√ß√£o do curr√≠culo ‚Äď Cl√°udia Maroa;
  • Falar de Extens√£o √©, indissociavelmente,falar sobre mundo, universidade e mercado. O que evidencia incompleto qualquer processo parcial e superficial de ajuste curricular;
  • Riqueza de percep√ß√Ķes, imprecis√£o de conceitos, multiplicidade metodol√≥gica, distintas naturezas de universidade e estruturas administrativas, muitos desencontros e potencialidades de reencontro universidade-sociedade para al√©m de uma l√≥gica industrial/produtivista o que desnuda a necessidade de repensar a concep√ß√£o de universidade.

 

  1. GT 4 - Experiências Metodológicas de Curricularização

Discussão de relato de experiências com riqueza de partilha que resumimos em 9 pontos (resultante da participação de 15 IES e 33 participantes):

  • Curr√≠culo entendido como projeto pedag√≥gico institucional enquanto express√£o da indissociabilidade ensino-pesquisa-extens√£o, construindo pr√°ticas dial√≥gicas de aprendizagem;
  • problematizar o institu√≠do para que criem novas possibilidades;
  • sistematiza√ß√£o de processos avaliativos de extens√£o atrav√©s de crit√©rios e instrumentos;
  • parcerias efetivas entre universidade e comunidade, atrav√©s da oportunidade real de contatos com lideran√ßas que articulem e promovam a rela√ß√£o com a comunidade;
  • gest√£o institucional que garanta as articula√ß√Ķes para que garanta a curriculariza√ß√£o com √™nfase em programas e projetos de extens√£o atrav√©s do di√°logo com distintos segmentos da sociedade;
  • alian√ßa entre sujeitos que praticam atividades de pesquisa e extens√£o
  • Organicidade e condi√ß√Ķes para a efetiva√ß√£o da curriculariza√ß√£o, com √™nfase nas quest√Ķes docentes ‚Äď carga hor√°ria, valoriza√ß√£o da extens√£o na carreira e remunera√ß√£o docente;
  • Experi√™ncias devem se refletir em produ√ß√£o acad√™mica dando o car√°ter comunit√°rio das IES;
  • Conselhos Comunit√°rios como espa√ßos consultivos para a defini√ß√£o das prioridades.

Encerramos o presente registro, elaborado a seis mãos pelos participantes: Simone Loureiro Brum Imperatore; Aline Cézar Costa e Robert Filipe dos Passos.

Passo Fundo, 13 de agosto de 2015.